terça-feira, 14 de abril de 2020

Tempestades. Reais e imaginárias...


“Quando encaramos a tempestade, descobrimos que o abrigo somos nós. ”

(Grey’s Anatomy)




CONFESSO!!!!!! Sou fã da série Grey’s Anatomy!!! Psicólogos também têm suas paixões e algumas podem ser bem estranhas. Já vi a série toda, mas às vezes, escolho  algum episódio aleatoriamente para distrair... Dia desses, me deparei com a frase acima.

E estamos no meio de uma tempestade. Pelo menos é assim que eu sinto.... Um pouco à deriva, talvez, por isso o medo esteja rondando muitas pessoas. É um tempo bastante desconfortável, onde todos teremos que enfrentar medos diversos, alguns que estavam adormecidos, outros calados sob a força de muita pressão. O problema maior é que todos esses medos vão querer gritar ao mesmo tempo, vão querer encontrar abrigo. Muitas pessoas terão dificuldade em lidar com a angústia proveniente da tempestade...

É importante o autoconhecimento e a terapia ajuda nesse processo, saber quem somos, o que desejamos, para onde queremos ir, pode apontar caminhos mais seguros na hora em que a crise chega. Permite que tenhamos sabedoria para reconhecer os sinais que nossa alma envia.

É natural que tenhamos medo. Há uma ameaça real, estamos vivendo uma experiência absolutamente nova. Considerando o medo normal, há uma tendência a AÇÃO. Buscamos proteção contra a ameaça, sabemos quais recursos temos, sabemos quais são nossos pontos de fragilidade e é esse conhecimento que nos permite atravessar a crise. Permite nossa preservação.

Mas, há o medo patológico e esse se traduz em PARALISIA. Nesses casos, o sofrimento será vivenciado com uma intensidade muito maior, com uma tendência a exacerbar a angústia. E, diante disso, esse indivíduo estará mais vulnerável diante da tempestade, com possibilidades reduzidas de buscar abrigo e proteção. E o sofrimento o lança em uma sensação de desamparo e queda sem fim.

Quando uma pessoa se permite mergulhar na própria história, diante de uma crise ela pode começar a buscar o colete salva-vidas antes do barco virar e isso pode fazer uma diferença significativa na preservação da vida. No medo paralisante, muitas vezes, o afogamento se dá pelo embotamento da visão, não há confiança o bastante na capacidade de autoproteção.

Não precisa ser assim! Procure ajuda. Existem profissionais capacitados, que poderão acolher seu sofrimento, que poderão ajudá-lo a fazer a travessia. Não apenas dessa tempestade real, mas de todas que você vem atravessando e se machucando ao esbarrar nos escombros como um náufrago.  Permita-se. A vida é muito breve para você não viver com a intensidade e a beleza que está contida nela.

Essa tempestade vai passar. Todas passam. E todas deixam marcas. Algumas muito intensas e outras mais suaves. Não sabemos como essa irá acabar. E não sabemos quando vai acabar. Até lá, todos precisarão utilizar os recursos internos que dispõem para avançar e encontrar um porto seguro.

Em tempos de crise, para pessoas com pré-disposição a desenvolver algum transtorno psicológico o risco se acentua. É preciso ficar atento. Importante buscar alternativas para aliviar a tensão e é fundamental ter cuidado com uso de drogas, tanto as lícitas quanto as não lícitas. Para evitar o desenvolvimento de dependência.

Procure alternativas saudáveis para cuidar da sua saúde psíquica. Meditação pode ser um grande auxílio, bem como atividade física, cuidar de plantas, ler, assistir filmes ou séries, preparar uma refeição, organizar um armário, ligar para alguém de confiança, fazer um curso online (há várias plataformas disponibilizando conteúdos gratuitos). Mas entenda, são apenas sugestões, é preciso se identificar com algo que faça sentido para você. O importante é reagir.

No final de tudo, algumas pessoas perceberão que o abrigo esteve sempre mais perto do que pensavam. Porque estava dentro de cada um.

Se precisar de ajuda não hesite em acenar, pedir socorro, pedir colo, pedir um alento, um aconchego. Só não vale naufragar.

Por Mariangela Venas

segunda-feira, 6 de abril de 2020

Tempo, tempo, tempo... vou te fazer um pedido...


Eu estava nas Serras Catarinenses (2019), visitando uma vinícola e enquanto o guia contava entusiasmado a história da belíssima construção, em dado momento me dei conta que minha escuta ficou presa em uma frase mencionada logo no início da visitação: Três meses antes da inauguração o dono e idealizador do projeto faleceu....

O idealizador do projeto apreciava muito vinhos e arte. Sonhava em se aposentar para dedicar-se a essas duas paixões. E, assim, após aposentadoria deu-se início a plantação e a construção do prédio que abrigaria a sede da Vinícola. Mas ele não brindou com a primeira safra de sua produção de vinhos!!! Essa informação gerou um impacto grande em mim.

Tenho constatado que muitas pessoas vivem como se o tempo não fosse finito. É sempre: quando a casa ficar pronta, quando concluir a faculdade, quando o filho nascer, quando o filho crescer, quando estiver no emprego tal, quando eu me aposentar, quando eu emagrecer, se eu ganhar um aumento, se eu casar, se eu conquistar minha independência. Vidas e vidas projetadas sobre um tempo que é finito, mas pensado como infinito. Ingenuidade? Talvez...

Temos muita dificuldade para falar sobre finitude, para aceitar que temos um tempo determinado e que a cada dia é menos um dia nessa “conta” que nos é aberta no dia em que nascemos. Não temos senha ou conhecimento acerca do número de dias depositados. Como crianças, teimamos em acreditar, que se não falarmos sobre o bicho papão ou o velho do saco eles não aparecerão. Para as crianças serve como uma doce ilusão. Mas para os adultos pode ser uma dose amarga gotejando na garganta.... Porque essa atitude embota nossa capacidade de viajar apreciando a vista e usufruindo tudo o que há nas paradas, nas estações visitadas.  Apenas seguimos apostando no futuro, onde tudo será possível fazer. Mas na hora derradeira nos deparamos com o fim sobre o qual era "obsceno' falar, sobre o fim que estava a nos espreitar dia após dia.

Voltando à vinícola... é perceptível ao visitá-la que seu idealizador deixou sua marca no empreendimento, a escolha do nome, objetos que compõem a belíssima sede, peças bonitas que falam do seu apreço pela arte. Quanto aos vinhos, não conheço profundamente o assunto, mas gostei do que experimentei e alguns são reconhecidos internacionalmente. Ao que parece, o sucesso chegou...

Não quero estabelecer juízo de valor em relação aos motivos pelos quais ele esperou a aposentadoria, minha intenção é apenas chamar atenção para o fato de que não devemos viver a vida sob a tirania do se ou quando. Vamos fazer escolhas que nos possibilitem a felicidade ao longo da travessia. A vida se dá também em pequenos e significativos momentos. Aprecie a vista, não negocie com o tempo, se joga nessa experiência incrível que é viver!



Tempo, tempo, tempo... Compositor de destinos
Tambor de todos os ritmos... 
É possível fazer um acordo contigo?

 
Inspiração para esse texto: Oração ao tempo composição de Caetano Veloso, na interpretação perfeita de Maria Bethânia. Aprecie sem moderação:


Por Mariangela Venas

sexta-feira, 20 de março de 2020

Palavra do dia: EQUILÍBRIO!



“O principal objetivo da terapia psicológica, não é transportar o paciente para um impossível estado de felicidade, mas sim ajudá-lo a adquirir firmeza e paciência diante do sofrimento. A vida acontece num equilíbrio entre a alegria e a dor. Quem não se arrisca para além da realidade jamais encontrará a verdade.”
(Carl Gustav Jung)

Estamos imersos em uma crise. Medos podem aflorar diante de um cenário de incertezas em que a vida parece ameaçada. Não se aliene! É preciso ter entendimento da situação. Contudo, não precisa passar o dia todo buscando informações sobre o corona vírus! EQUILÍBRIO é a palavra de hoje.

quinta-feira, 12 de março de 2020

DA SÉRIE FRASES, FOTOS & SENTIDO...




Sim, eu sei... os tempos não estão nada fáceis.

Temos o retorno do sarampo, dólar nas alturas, violência nas cidades, chuva que desce lavando e levando tudo o que vê pela frente... Como se não bastassem tantas agruras e lá vamos nós enfrentar o coronavírus. Sem histeria e sem pânico, por favor! Nem vou me ater a passar orientações acerca dos cuidados necessários e importantes, porque todos nós estamos recebendo enxurradas de informações diariamente.

E desinformação também. O que é lamentável, visto que tem letalidade bem maior do que o vírus.

Mas essa postagem será para falar de resistência. A vida se dá mesmo em ciclos. Isso eu já aprendi. A duras penas, confesso. Ciclos que se alternam: tristeza e alegria, saúde e doença, amor e ódio, união e separação, nascimento e morte. Muitas vezes acontecem todos juntos e, como se diz na gíria: juntos e misturados.

Mas devemos resistir. Acreditar no amanhã. Claro que não é fácil, porque exige força, coragem, entrega e confiança. Exige também amor por si mesmo e pelo outro... E muitas vezes é difícil amar diante de tanta aridez.

Imaginem a força que essa plantinha da foto precisou fazer para nascer entre pedras, o quanto ela precisou acreditar no sol, na chuva, na pouca terra que tinha, o quanto ela precisou confiar que poderia crescer e encantar o dia de alguém... 

Sim, resistir é acreditar profundamente que o sofrimento acabará. Se você estiver sozinho busque  ajuda. 


“O sofrimento só é intolerável quando ninguém cuida.”
(Cicely Saunders)







terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Da série: Livros!!!! Leitura!!! Conhecimento! Transformação! Liberdade!


Devo assumir que Jean Paul Sartre foi um primeiro e grande amor... Na verdade, eu já flertava com a Filosofia desde o Ensino Médio. Estávamos ainda respirando os primeiros anos de liberdade, não éramos mais um país vivendo na ditadura. 

O colégio para o qual eu fui transferida tinha aulas de Filosofia. Era impossível não amar!  Mesmo sendo bastante tímida, era a aula que eu me via rodeada de colegas, muitos me pedindo para eu explicar a matéria, ajudar nos trabalhos! Tudo me encantava! Em especial a Filosofia, mas também aquela novidade de deixar a timidez de lado...

Na faculdade de Psicologia houve um aprofundamento dos conhecimentos de Filosofia. E, desde então, Sartre me conquistou: a ideia de que somos prisioneiros da nossa liberdade é sedutora. Somos responsáveis por nossas escolhas. Não podemos nos esquecer da nossa responsabilidade perante o mundo.

Meu desejo com cidadã e Psicóloga é que cada pessoa possa trilhar da melhor maneira possível Os Caminhos da Liberdade...

Por um mundo com muitos livros e repletos de palavras! Sempre!



Le sursis é um romance de 1947, escrito por Jean-Paul Sartre, constituindo a segunda parte da trilogia 
Os Caminhos da Liberdade (Les Chemins de la liberté).
Os acontecimentos nas vidas de diversas pessoas na Europa se entrecruzam, 
enquanto o continente se consome na angústia da inevitabilidade da guerra.
Os personagens de “A Idade da Razão” reaparecem, agora com a certeza de não poder mais sonhar
 com liberdade individual, devido à guerra iminente.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Da série: Livros!!!! Leitura!!! Conhecimento! Transformação! Liberdade!

Na semana passada, o tenebroso tema do holocausto ficou em evidência. Foi assustador. Como alguém pode usar como referência em um pronunciamento para a Nação um período tão cruel da História?

Talvez possamos esquecer as questões politico-partidárias, mas não podemos esquecer que apologia ao Nazismo é considerada crime no Brasil.

Como estou dedicando as postagens desse mês à importância da leitura, apresento um trecho do livro Baú de Lágrimas:

"Estou determinada a colocar tudo no papel para aqueles que não sabem ou se recusam a acreditar na verdadeira história do que aconteceu. Não sobraram muitos de nós que conheceram esses tempos horríveis, e devemos passar o conhecimento para aqueles que devem saber da verdadeira história de todos os horrores. Se silenciarmos e não falarmos agora do que aconteceu antes, poderia certamente voltar a acontecer."

Difícil escrever algo mais... Reverbera uma dor no peito difícil de traduzir nesse momento...




Baú de lágrimas: o diário secreto do holocausto é um impressionante testemunho narrado por Nonna Bannister, uma mulher russo-americana que viu e sobreviveu a indescritíveis atrocidades quando era jovem. Por meio século, manteve sua história em segredo, enquanto levava uma vida normal e tranquila. Ela trancou todas as suas fotos, documentos, diários e as sombrias lembranças da Segunda Guerra Mundial em um baú. Mas, no final de sua vida, Nonna destrancou esse baú: primeiro para si mesma; em seguida, para seu marido, e depois para o resto do mundo.A história de Nonna é de sofrimento, tortura e morte, mas também de inacreditáveis atos de generosidade, que demonstram o último triunfo da fé e do amor sobre o desespero e as crueldades. Baú de lágrimas reproduz uma tragédia, mas incorpora elementos de perdão, coragem e esperança.

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

Da série: Livros!!!! Leitura!!! Conhecimento! Transformação! Liberdade!



A leitura revolucionou minha vida. Foi minha mãe quem me falou sobre a importância de gostar de ler. Na verdade, ela me falou da necessidade dos livros para o enriquecimento da alma: rir, chorar, desejar, amar, odiar, sonhar é uma maneira de entrar em contato com as próprias emoções e praticar o autoconhecimento. Creio que não seja mera coincidência que Livros e Leitura tenham a mesma inicial de LIBERDADE!!!!

Por um ano repleto de livros, com muitas palavras. 

FELIZ 2020!!!! 


Fascinante história de uma africana idosa, cega e à beira da morte, que viaja da África para o Brasil em busca do filho perdido há décadas. Ao longo da travessia, ela vai contando sua vida, marcada por mortes, estupros, violência e escravidão. Inserido em um contexto histórico importante na formação do povo brasileiro e narrado de uma maneira original e pungente, na qual os fatos históricos estão imersos no cotidiano e na vida dos personagens. Um Defeito de Cor, de Ana Maria Gonçalves, é um belo romance histórico, de leitura voraz, que prende a atenção do leitor da primeira à última página. Uma saga brasileira que poderia ser comparada ao clássico norte-americano sobre a escravidão, Raízes.